Deputada federal visita UENF, em Campos, e critica cortes orçamentários

Ao visitar o campus da UENF, em Campos, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), criticou o governo federal pelos cortes orçamentários na área de ciência. “É um governo que se nega a admitir a contribuição da ciência para a humanidade”, disse a deputada, que almoçou no Restaurante Universitário da UENF (RU) e, em seguida, participou de uma reunião com o reitor e a vice-reitora da UENF, Raul Palacio e Rosana Rodrigues; o vereador de Niterói, Leonardo Giordano (PCdoB); a ex-prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PT), além de representantes do Sintuperj e do DCE.

“O governo faz isso porque colocou a cultura, a educação e a ciência como inimigos. Dos R$ 18 bilhões do orçamento onde deve cortar, R$ 3 bilhões estão na educação. Temos hoje o menor orçamento da ciência de toda a história. Mas nós vamos agora na LDO e na Lei Orçamentária tentar mudar isso, tentar aumentar estes valores. O grande problema é o teto de gastos, que nos limita muito, pois, para colocar em um lugar, precisa tirar de outro. É uma coisa horrível. A primeira coisa que o próximo governo precisa fazer é derrubar o teto de gastos”, afirmou a deputada à ASCOM/UENF.

Ressaltando que todo o estrago provocado na ciência precisa ser urgentemente revertido, Jandira também criticou a proposta de emenda à Constituição que busca instituir a cobrança de mensalidade nas universidades públicas, em tramitação no Congresso. “Isso é um absurdo. A sociedade já paga a universidade através dos tributos. Uma universidade com mensalidade paga diretamente é exclusão. Não podemos aceitar isso de jeito nenhum. Nosso trabalho é não deixar isso passar”, disse.

A deputada disse que sua visita à UENF teve por objetivo ouvir as demandas da Reitoria, dos servidores e dos estudantes para tentar ajudar. “Já vim aqui há algum tempo, mas é sempre bom voltar e ver que a Universidade evoluiu, com vários cursos de graduação, estudantes, técnicos e professores cada vez mais dedicados, o Restaurante em pleno funcionamento e, ao mesmo tempo, ver que o campus vai sendo mantido aberto, apesar da pandemia, com testes e vacinação sendo feitos aqui dentro, com todos os cuidados e segurança”, disse.

Após ouvir as questões levantadas pelos representantes da Reitoria, do Sintuperj e do DCE, Jandira se comprometeu a fazer articulações com os deputados estaduais no sentido de pressionar o governo do Estado. Uma das questões apresentadas foi a necessidade de implementação do pagamento dos duodécimos às universidades. A demanda foi apresentada pela vice-reitora Rosana Rodrigues, que também citou a necessidade de transferência para a UENF da gestão do Colégio Agrícola Antônio Sarlo, cuja parte física já foi incorporada à Universidade.

O diretor do Sintuperj, Cristiano Peixoto, citou a necessidade de reformulação do artigo 56 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), segundo o qual as decisões dos conselhos deliberativos e eleições das universidades têm peso diferente entre professores, técnicos e alunos (docentes 70% e técnicos/alunos 30%). As dificuldades impostas pelo Regime de Recuperação Fiscal do Estado do Rio de Janeiro (RRF) à melhoria da remuneração dos servidores foram apontadas pela também diretora do sindicato, Maristela Lima. “A UENF só consegue bons resultados porque conta com um corpo de servidores altamente competente, mas hoje há servidor ganhando salário mínimo”, disse.

O diretor do DCE, Jhonatan Alves Cossetti, também citou os impactos negativos do RRF, ressaltando a necessidade de implantação do auxílio-moradia para os estudantes. Ele citou o transporte público precário e a falta de mecanismos que reduzam os gastos dos estudantes com o transporte. “Não temos bilhete único nem desconto nas passagens. Num cenário como o que estamos vivendo isto impacta muito”, disse.

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