Hospital de Campos realiza captação de órgãos de três pacientes em menos de dois meses

As captações possibilitaram a doação de quatro rins e três fígados

Foto: Hellen Souza

Mesmo em uma fase tão conturbada que está sendo vivenciada no Brasil e no mundo, ainda existe espaço para gestos de solidariedade. Em menos de dois meses, a equipe do NF Transplantes – programa da Secretaria Municipal de Saúde de Campos, com base no Hospital Ferreira Machado (HFM) – realizou captação de órgãos de três pacientes em morte cerebral, após a autorização das famílias.

Através da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), vinculado ao Hospital Ferreira Machado (HFM), as captações possibilitaram a doação de quatro rins e três fígados, que foram direcionados aos pacientes cadastrados no Programa Estadual de Transplantes (PET). O NF Transplantes é pioneiro nas ações e procedimentos pró-transplantes no interior do estado do Rio de Janeiro, junto ao Programa Rio Transplantes. Para doação, o doador deve autorizar ainda em vida e anunciar a decisão aos seus familiares ou por autorização da própria família.

Nessa quarta-feira (17), o filho de uma paciente de 36 anos, vítima de traumatismo cranioencefálico, autorizou a captação de órgãos. Moradora de São Francisco do Itabapoana, a mulher estava internada no HFM, quando apresentou quadro de morte cerebral.

Em maio, familiares de outros dois pacientes também concordaram com a doação de órgãos. No dia 14 foi captado o fígado de um homem de 63 anos que havia sofrido um acidente vascular encefálico (AVE). O órgão foi transportado por um avião da FAB até o Rio de Janeiro,  para ser transplantado em um paciente em estado grave e que aguardava na fila de espera. Já no dia 30 do mesmo mês, uma mulher de 41 anos, vítima também de AVE, teve a captação de órgãos autorizada pelo marido. Os dois pacientes eram de Campos.

Em 2020, o NF Transplantes conseguiu captar 12 rins e seis fígados. No ano passado, foram 10 captações. O psicólogo Luiz Antônio Cosmelli explica que treinamentos das equipes, avaliação e planejamento das entrevistas, tanto no Programa Estadual de Transplantes (PET), quanto no Hospital Ferreira Machado, têm melhorado a qualidade da abordagem familiar e, consequentemente, o número de autorizações.

– O número aponta para uma boa perspectiva para captação de órgãos para transplante, recurso vital para aqueles que estão na fila de espera. Ainda encontramos resistência nas famílias, mas já foi muito maior. O trabalho interno com as equipes das UTI e divulgação em canais de comunicação tem garantido o processo de doação e mais informação à sociedade – disse Luiz Cosmelli, integrante do NF Transplantes.

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