Prevenção x causa: nutricionista de Campos fala sobre o poder da alimentação

A alimentação é mais importante do que muita gente pensa já que ela pode causar e prevenir doenças. Na correria do dia a dia, as pessoas acabam buscando refeições consideradas mais práticas, como as de embalagens ao invés de descascar frutas, ingerir verduras e legumes. Em entrevista ao jornal O Milênio, a nutricionista Viviane Barreto – que tem uma clínica em Campos – explicou sobre a importância de evitar alimentos industrializados e ultraprocessados.

“O que a gente tem observado é que há cerca de 40 anos, os hábitos alimentares da população em geral têm mudado bastante, e houve um aumento de consumo de alimentos industrializados e ultraprocessados. O grande problema é que esses alimentos, principalmente os ultraprocessados que são embutidos, como por exemplo, salame, mortadela, queijo e presunto, podem ser comprados por valores mais acessíveis do que outros alimentos como carnes, fazendo com que eles sejam ainda mais consumidos pela população de baixa renda, que por vezes, substituem as proteínas. Sem se dar conta, estamos aumentando o consumo desses alimentos ricos em nitratos e nitritos, que são sais utilizados para conservar os alimentos nos comércios e para dar mais sabor. No nosso corpo, esses sais se transformam em nitrosaminas que são substâncias que modificam o DNA da nossa célula e produzem células tumorais”, explicou a especialista, completando com uma informação que destaca ainda mais a importância das pessoas terem cuidados com a alimentação. “A Organização Mundial da Saúde classificou como alimentos que são potencialmente carcinogênicos, estando no mesmo patamar que elementos que causam o câncer como tabaco e como a fumaça de óleo queimado”.

Viviane ressalta que a população precisa resgatar e valorizar a alimentação que era mais comum há alguns anos: rica em frutas, verduras e legumes, mas que agora está sendo deixada de lado tornando a população cada vez mais doente. “Nós temos alimentos que são ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes que inibem a ação dessas nitrosaminas e dos radicais livres que são metabólicos produzidos a partir dos nutrientes. Esses radicais livres também são indutores de células tumorais, mas as vitaminas e minerais dos alimentos naturais – que são as frutas, verduras e legumes – inibem a ação dessas substâncias carcinogênicas. Mas a população passou a consumir mais alimentos industrializados e diminuiu o consumo dos alimentos protetores, fazendo com que o organismo fique muito mais exposto a ter doenças. Além disso, é possível observar também o aumento de consumo de açúcar e gordura que também contribuem para a formação de células tumorais”, alertou.

A OMS informou que a população deveria consumir pelo menos de 3 a 5 tipo de frutas, verduras e legumes por dia para buscar melhorar a condição da saúde, lembrou a nutricionista, lamentando que essa não é a realidade. “O consumo de fibra que nós deveríamos ter é muito maior do que consumimos. Podemos encontrar as fibras nas hortaliças e nos cereais integrais, que são cada vez menos consumidos. Por isso, existe uma grande parcela da população que tem constipação intestinal (prisão de ventre), o que significa que o intestino funciona mais lentamente. Esse intestino cheio de nitrosamina e radicais livres, e com mal funcionamento, pode provocar um prejuízo muito grande e é aí que surge o câncer de cólon”, disse.

As frutas, verduras e legumes têm cores diferenciadas porque cada um tem um fitoquímico diferente. Viviane destaca alguns alimentos que inibem a formação de cânceres:

– Alimentos alaranjados como – laranja, abóbora, cenoura: tem carotenoides para previver o câncer de mama e de útero

– Alimentos avermelhados – tomate, morango, caqui, melancia: tem licopeno que previne o câncer de próstata

– Alimentos esverdeados – hortaliças oferecem vitamina C e possuem a clorofila, além de outras substâncias antioxidantes que inibem a formação dos radicais livres que formam as células tumorais

Redação Administrator
O Milênio

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