Estudo aponta que Campos e São Francisco são responsáveis por quase metade da área plantada do Estado do Rio

Um estudo encomendado pela Firjan e pela Federação da Agricultura do Estado (Faerj) à FGV Agro, diagnosticou o estado atual do agronegócio fluminense – que ao longo de 25 anos, teve a maior redução de área plantada do Brasil, sendo que Campos e São Francisco de Itabapoana ainda se destacam na conjuntura estadual. O “Diagnóstico do Agronegócio Fluminense”, apresentado na reunião do Conselho Empresarial de Agronegócios, Alimentos e Bebidas da Firjan, é o primeiro passo na busca por um plano de ação para revitalizar as cadeias produtivas do agronegócio fluminense, tendo em vista que o Rio é o segundo maior mercado consumidor do Brasil.

O estudo mostra o estado na última colocação do país em quantidade de área plantada. Ao longo de 25 anos, de 1995 a 2020, a queda foi de -62,4%, a maior redução do Brasil – enquanto a média nacional aumentou em proporções semelhantes (+60,8%) –, o que gerou uma perda de R$ 1 bilhão no período, considerando os dados já deflacionados. Em termos de valor real de produção, o estado está na antepenúltima colocação (-32,2%). Para o Conselho de Agronegócio da Firjan, esta é uma amostra da urgência em se recuperar o setor, que tem um enorme potencial, após décadas de falta de investimentos dos governos e da ausência de políticas públicas voltadas ao Agronegócio e à Indústria de Alimentos.

“Além do petróleo e das energias renováveis, o agronegócio ainda é um motor importante da economia do Norte Fluminense, mas como um grande potencial de desenvolvimento. E com a futura Estrada de Ferro 118, que vai conectar o Porto do Açu à malha ferroviária nacional, poderemos contribuir ainda mais para o desenvolvimento deste setor no estado, barateando fretes e insumos e, assim, melhorando a competitividade dos produtores de todo o estado”, destacou o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.

“Este estudo é um primeiro passo para desenvolvermos propostas concretas que revitalizem o agronegócio fluminense. Comprovamos o quanto o setor encolheu nas últimas décadas, e nosso desafio passa, por exemplo, na revisão de questões tributárias. Mas temos um enorme potencial a ser explorado, e isso significa novas oportunidades e uma maior diversificação da economia fluminense”, afirmou Antonio Carlos Celles Cordeiro, presidente do Conselho de Agronegócio da Firjan.

Em versão preliminar, este foi o primeiro módulo do “Diagnóstico do Agronegócio Fluminense”. O próximo passo é uma análise por parte dos membros do Conselho, que vão eleger cinco principais cadeias produtivas para serem alvo de um segundo módulo do estudo, com o objetivo de se aprofundar nos dados e definir as propostas de políticas públicas e desenvolvimentistas em prol do setor.

Área plantada e cana-de-açúcar

Em 2020, do total de 110,5 mil hectares de área plantada no Rio, 28,0% fica em Campos e 20,5% em São Francisco de Itabapoana – ou seja, quase metade da área plantada no estado (48,5%). O cultivo, porém, teve redução no estado: de 55,1% em 1995 para 48,4% em 2020. Apesar disso, a cana-de-açúcar ainda é o principal produto agrícola do Norte Fluminense – representando mais de 83% de toda a cana produzida no estado. Considerando o valor de produção, São Francisco tem a maior participação do estado – 23% do total. O índice, porém, é pouco representativo no total do Brasil, correspondendo a apenas 0,7% do valor de produção da cana no país.

Abacaxi em São Francisco

Já em termos de quantidade produzida, o abacaxi é o produto fluminense com mais relevância nacional, representando 8,8% da produção brasileira – índice que, embora baixo, figura o estado como a quarta unidade da federação com maior participação. Apenas São Francisco responde por 89,2% da produção fluminense do produto.

Rebanho bovino

Em termos de rebanho bovino, os municípios mais relevantes são Campos (10,5%), Itaperuna (5,0%), Valença (4,0%) e Macaé (3,8%) – o estado do Rio, porém, é apenas o 15º do país em relevância nesta criação. Campos também é o quarto município em rebanho suíno (7,4%) – e o estado é o penúltimo do país, a frente apenas do Amapá.

Rio, importador de alimentos

Um exemplo da queda de produção – e do potencial – do agronegócio fluminense se revela em itens como ovos e leite, dos quais o Rio se tornou grande “importador” de outros estados. Em 2020, a estimativa de consumo anual no estado foi, respectivamente, de mais de 4 bilhões de unidades e 2,8 bilhões de litros – enquanto a agroindústria fluminense produziu 216 milhões de unidades e 443 milhões litros. Ou seja, a produção fluminense é capaz de atender apenas 5,4% da demanda interna de ovos, e 15,4% da de leite – o que, por outro lado, demonstra o tamanho do potencial de desenvolvimento da agroindústria do Rio.

Café: Rio tem a sexta maior produtividade do país

O estudo também destaca os produtos que mais têm valor de produção no agronegócio fluminense, como o café arábica: o estado do Rio está entre as seis unidades da federação com maior produtividade, e alcançou a segunda maior área plantada do estado (11,2%) – atrás apenas da cana-de-açúcar (48,4%). Mas o café germinado em solo fluminense representa apenas 0,4% do valor de produção agrícola nacional.

Um dos exemplos do potencial fluminense vem do Noroeste, responsável por cerca de 80% da produção de café do Rio, num total de R$ 75,8 milhões em receita anual. Só o município de Varre-Sai responde por 45% do cultivo estadual, de acordo com a Emater-Rio. Para chegar ao atual patamar, os produtores locais investiram em genética de mudas, controle sanitário das lavouras e fertilidade do solo.

Para os conselheiros que acompanharam a apresentação do estudo, alguns dos principais entraves para o desenvolvimento da agroindústria são a concorrência tributária e a cadeia de insumos, já que o Rio é dependente de outros estados – o que encarece o custeio e diminui a competitividade da agroindústria fluminense.

Sobre o estudo

A reunião do Conselho, na qual o estudo foi apresentado, contou com representantes de diversas indústrias fluminenses, além do vice-presidente da Faerj, Maurício Cezar Gomes de Salles, do pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV, Felippe Serigati, do gerente de projetos da FGV Agro, Giuliano Senatore, e do diretor de Relações Institucionais da Firjan, Márcio Fortes.

O relatório mapeou as principais características do agronegócio do estado por meio de fontes de dados oficiais e gratuitas. O mapeamento buscou identificar as características mais estruturais do setor para evitar possíveis distorções causadas pelos impactos econômicos e sociais provocados pela pandemia. Foram consideradas informações de seis pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE): a Produção Agrícola Municipal (PAM), a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), Pesquisa Trimestral do Leite, Produção de Ovos de Galinha (POG), Pesquisa Trimestral do Abate de Animais e Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS). A versão final do estudo será disponibilizada em breve no site da federação.

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