Investidores de Campos entram na Justiça contra empresa de bitcoins e pedem devolução de dinheiro

A imagem mostra o dinheiro apreendido na casa de Glaidson #PraCegoVer - Foto: Divulgação

Investidores de Campos iniciaram processos judiciais contra a empresa G.A.S Consultoria Bitcoin, que tem sede em Cabo Frio e que era administrada por Glaidson Acácio dos Santos, que foi preso no dia 25 de agosto por suspeita de fraude envolvendo bitcoins.

O advogado Jefferson Almeida representa dez antigos clientes da G.A.S. Todos eles buscam a rescisão contratual com a empresa, após não receberem o retorno financeiro prometido. Os clientes de Jefferson investiram valores considerados de pequeno a médio porte, indo dos R$ 5 mil aos R$ 20 mil.

“Vamos supor que você investisse R$ 10 mil, você teria 10% daqueles 10 mil reais mensalmente. A partir do momento que aqueles 10% não é cumprido, isso gera o direito de rescisão unilateral do contrato, ou seja, gera ao cliente o dinheiro de volta. Até no contrato tem uma cláusula por parte da G.A.S que fala sobre isso, que se você não cumprir o contrato, você gera a rescisão. Foi isso o que aconteceu”, explica Jefferson Almeida.

Dos dez clientes que entraram na Justiça, quatro já conseguiram liminares favoráveis para garantir a devolução do dinheiro. De acordo com os investidores, a empresa suspendeu os pagamentos após os desdobramentos da Operação Kryptos, realizada pela Polícia Federal em agosto e que culminou na prisão de Glaidson, que é investigado por crimes contra o sistema financeiro, além de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A procura por escritórios como o do Jefferson tem sido cada vez maior, todos contando a mesma história. “As pessoas continuam nos procurando. Hoje mesmo, mais cedo, eu estava aqui conversando com alguns clientes na perspectiva de entrar com mais ações”, disse Jefferson.

Outro advogado, José Paes Neto, calcula que, em todo o estado, já são 240 processos contra a empresa. José também representa um investidor, que deixou R$ 100 mil na G.A.S. Ele também conseguiu uma liminar para garantir que o dinheiro seja devolvido.

“Diante do número de investidores que se tem conhecimento, dos valores envolvidos, há um risco bastante significativo de que não haja recurso suficiente para que todos os investidores sejam ressarcidos. Então, por isso, esse pedido liminar de arresto não só das contas da empresa, como também de reserva dos valores eventualmente bloqueados no processo criminal na Justiça Federal, como uma tentativa de resguardar os direitos desse investidor ao final do processo”, disse o advogado.

Para o professor de economia, Saulo Jardim, esquemas como o que a G.A.S. está sendo investigada não podem ser considerados investimentos de fato. “Não é considerado um investimento porque o recurso captado não é aplicado em nenhuma atividade financeira específica, nenhuma atividade produtiva”.

“A clássica pirâmide financeira vem com outra cara, aparece pra gente nesse mundo moderno com outra cara, porque, na verdade, quem garante a alta rentabilidade que o suposto investimento oferece são os novos entrantes no esquema. Eles garantem a alta rentabilidade das pessoas que entraram anteriormente no esquema. Pessoas próximas já me procuraram algumas vezes dizendo que tinham recebido oferta que rende 10% ao mês e perguntando se é confiável ou não, e eu falo: ‘Se garantiu 10% ao mês, não precisa nem me contar a história. Não é confiável”, alerta o professor.

Redação Administrator
O Milênio

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