Estudo sobre Parkinson em Campos será apresentado nos Emirados Árabes

O trabalho será apresentado no 24º Congresso Mundial de Neurologia, em Dubai.

Um estudo sobre cuidadores de pacientes com diagnóstico de Parkinson, realizado em Campos e inédito na literatura científica no Brasil, vai ser apresentado no 24º Congresso Mundial de Neurologia, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em outubro deste ano. Produzido este ano, durante seis meses, pelo Grupo de Cuidadores do Centro de Doença de Alzheimer e Parkinson (CDAP), o trabalho foi conduzido pelo neurologista Vanderson Neri, que integra a equipe do programa municipal que trata de pacientes das duas doenças.

— Este estudo foi de suma importância para balizar nosso trabalho de acompanhamento do tratamento dos nossos pacientes, hoje em torno de 750, através dos cuidadores. Depois dele, poderemos não apenas aperfeiçoar esse tratamento, mas criar uma inédita literatura científica no país para orientar a nossa e a futura geração de profissionais, não apenas em Campos, mas em todo o país e também no mundo — avalia Neri.

O estudo acompanhou 61 dos 750 cuidadores, a maior parte mulheres (78%) sendo 96% parentes do paciente. A idade média é de 52 anos e 49% destas pessoas desempenham apenas esta atividade. Foram observados comportamentos considerando duas escalas: a de Flanagan, que avaliou a qualidade de vida dos cuidadores; e a de Zarit, que mediu o impacto da atividade na vida deles.

— Observamos que o impacto não difere se o cuidador é homem ou mulher. A de Flanagan apontou a atividade como satisfatória. Já a de Zarif mostrou que a função gera comprometimento na vida desse cuidador, principalmente no que diz respeito à recreação ou ao tempo para realizar outros trabalhos. A partir desses resultados, poderão ser formulados outros estudos para melhorar a qualidade de vida deles — acrescentou.

A apresentação em Dubai ocorreu a partir de inscrição feita pelo neurologista, que fará a apresentação em painel, com redação em inglês, para profissionais de todo o planeta. “Após essa exposição, queremos logo aplicar os resultados no plano assistencial junto aos nossos pacientes. E ressaltamos a importância de estarmos gerando saber científico, em nível internacional, a partir de um programa de saúde público. Isso é muito gratificante”.

 

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