Especialistas defendem manutenção de investimentos da Petrobras na Bacia de Campos

A queda de produção na Bacia de Campos caiu pela metade e preocupa os especialistas da área

Bacia de Campos - Foto: Petrobras

Em 2015, a Bacia de Campos produzia cerca de 1,8 milhão de barris diariamente. Hoje, a produção caiu para metade, cerca de 900 mil barris/dia. Para os especialistas, essa queda é resultado, principalmente, da política de desinvestimento da Petrobras, com impactos diretos nos índices de emprego e renda, e arrecadação fiscal dos municípios do Norte Fluminense. De 2015 a 2019, foram perdidos 11.598 empregos formais em Campos e 29.868 empregos formais em Macaé, totalizando 41.466, de acordo com o Caged.

Para a engenheira geóloga Rosângela Buzanelli, atual representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras, embora a região possua campos de petróleo maduros, ainda é possível obter uma boa produção com investimento. “A empresa atua, hoje, com a meta de lucro máximo. Mas, trata-se de uma empresa estatal, que não deveria ter a meta de dar rendimento máximo aos acionistas. A Petrobras tem o dever de atender a sociedade brasileira, que é a acionista majoritária”, disse Rosângela, na última segunda- feira (19), na primeira de uma série de lives que o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF) vai promover até o dia 13 de novembro com lideranças dos trabalhadores, empresariais, poder público, sociedade civil, economistas e especialistas da área do petróleo e gás, para discutir os impactos e as consequências da política de desinvestimento da Petrobrás na Bacia de Campos.

Já a advogada trabalhista, gestora de redes sociais e criadora do PTinder, Maria Goretti, convidada da segunda live, na última quarta-feira (21), entende que a privatização, além de demissões, provoca prejuízos aos direitos conquistados durante anos pelos trabalhadores da estatal. “Não dá para entender que um governante ache legal e legítimo que uma empresa, onde foi feito muito investimento para tornar-se grande e que está gerando lucro, seja vendida. Não dá para entender que uma pessoa ache que é melhor o lucro de uma estatal não ficar no país e ir pra fora. As pessoas ficam desempregadas ou têm seus direitos reduzidos. Isso não é vantajoso”, comentou.

Nas duas primeiras lives da campanha ‘Petrobrás Fica na Bacia de Campos’, Rosângela conversaram com Tezeu Bezerra e Tadeu Porto, coordenador geral e coordenador financeiro do SindipetroNF, respectivamente. De acordo com Bezerra, na Bacia de Campos, os postos considerados maduros só foram explorados cerca de 30% de petróleo. “Ainda tem muito petróleo lá. Outros modelos de países, como o da Noruega, que é uma referência pra nós, exploram até 60% dos campos. Ou seja, ainda temos muito a explorar. O que precisa é ter investimento em tecnologia, para fazer os petróleos dos campos maduros brotarem”, explicou o coordenador do SindipetroNF.

Durante a live, foi falado também sobre a Carta Compromisso enviada aos candidatos a prefeito de Campos dos Goytacazes e Macaé. “A classe política da região tem mostrado mais preocupação com a questão da divisão dos royalties. Se direcionarem seus esforços para a permanência da Petrobras na região, o retorno para o município será infinitamente maior, e não apenas a participação dos royalties”, finalizou Bezerra.

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O Milênio

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