Dia de Prevenção do Suicídio: psiquiatra de Macaé e Rio das Ostras orienta sobre sinais de ideação suicida

A foto mostra o dr. Ilton Castro usando uma camisa social #Pracegover - Foto: Arquivo pessoal

Um inimigo silencioso, muitas vezes subestimado, mas que é um risco à saúde pública: o suicídio. Foram 679 vidas perdidas somente no Estado do Rio em 2020, muito provavelmente para doenças mentais que poderiam ter sido tratadas. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021 são alarmantes. O estudo indica 12.895 casos de suicídio em 2020, com leve crescimento comparado ao ano anterior (0,4%). No Estado do Rio de Janeiro, o movimento foi o contrário. Os casos de suicídio diminuíram em relação a 2019, mas num número ainda muito baixo (7%).

Neste Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de setembro, a equipe de reportagem do jornal O Milênio irá passar algumas dicas de um médico especialista que atende nas cidades de Macaé e Rio das Ostras. O psiquiatra Ilton Castro considera que esses casos de suicídios, muitas vezes, estão relacionados a depressão, transtorno bipolar e abuso de drogas.

“O suicídio é a materialização do sofrimento mental. Uma pessoa com comportamento suicida deixa rastros. Elas preferem se isolar, e quando interagem, soltam frases de baixa estima como ‘eu não tenho valor’, ‘eu não posso’’ ,‘vocês viverão sem mim’ são sinais que apontam para a necessidade de ajuda profissional”, explicou.

Hoje, esta é a terceira causa de mortes entre jovens no Brasil. Só fica atrás dos registros de violência e acidentes de trânsito. Estudos divulgados pela organização da campanha nacional de prevenção ao suicídio mostram que 96,8% das mortes poderiam ser evitadas. Uma das principais causas está relacionada à desinformação. Muitas famílias ainda interpretam casos de depressão ou transtorno mental como opcionais. Se trata de um tabu que a sociedade só consegue vencer unida. 

“Se uma pessoa sofre por problemas no coração causados por uma  arritmia ou mesmo insuficiência cardíaca, ninguém questiona se a doença surgiu porque o paciente não tem Deus no coração ou está com tempo ocioso demais e deveria procurar um serviço. É preciso entender que assim como o coração, o cérebro é um órgão e pode sofrer alterações no sistema nervoso central. Claro que este entendimento se alinha a uma análise multidisciplinar, que envolve contextos culturais, ambientais, sociais e emocionais para a conclusão de um diagnóstico”, afirma Ilton Castro, que é formado pela Faculdade de Medicina do Vale do Aço (MG) e em psiquiatria pelo Hospital Naval Marcílio Dias.