Coluna Mundo de Leituras: o futebol operário de Campos dos Goytacazes

A foto mostra atletas do Americano e do Goytacaz durante um jogo em Campos #Pracegover - Foto: Arquivo

Qualquer cidade que tivesse mais de 400 mil habitantes, que sediasse importantes
empreendimentos econômicos como exploração de petróleo, atividades agrícolas e ampla
gama de estabelecimentos voltados para o comércio e setor de serviços e uma importância
estratégica em âmbito regional, saberia explorar todo esse potencial de modo a incrementar
o cenário esportivo do lugar, em especial aquele relacionado ao futebol.

E ainda mais uma cidade possuidora de tanta tradição em termos de futebol, com um
passado tão rico, onde desfilaram vários times marcantes, verdadeiras instituições locais.
E mesmo assim, mesmo tendo tido um passado tão vibrante, o futebol declina cada vez
mais nas terras dos Campos dos Goytacazes.

Trata-se de uma tragédia, de algo verdadeiramente indecente constatarmos o que
conseguiram fazer com o esporte – absolutamente sucateado, combalido, no chão.
Praças esportivas, os estádios, cada dia mais decrépitos, corroídos pelo tempo. Clubes
sepultados como o Vesúvio, Rio Branco e Municipal.

Os “grandes de outrora” como Americano e Goytacaz mal conseguem participar de partidas
fora de Campos. E ano após ano declinam dos convites para participar da Copa Rio no
segundo semestre. E tentam, se muito, fazer boa figuração no primeiro semestre na segunda
divisão do combalido campeonato carioca do Rubens Lopes (presidente de uma federação
cada dia mais rica).

O heróico Campos tenta ressurgir da terceira divisão, com uma estrutura montada
exclusivamente em razão do esforço abnegado e desinteressado de uns poucos apaixonados
pelo clube. Acabou de subir para a segunda divisão do campeonato do Rubens Lopes.
Nas últimas décadas, só o Americano botou a “cara para fora”. E mesmo assim muito por
conta de Eduardo Vianna, que reinou durante décadas na federação de futebol.

E estamos falando, o que é o principal, de uma cidade de um intenso e pujante história
relacionada ao futebol operário. Essa história não pode ser esquecida. Uma história
cravejada por joias como o São José, Cambaíba, Sapucaia, Aliança, Paraíso, São João,
Paraíso, Santa Cruz merece mais respeito.

Leonardo Santos é professor de História da UFF de Campos dos
Goytacazes