Coluna Analisando: termina de ser desmontado o que não começou a ser utilizado

O hospital de campanha de Campos chegou ao fim antes de ter iniciado as atividades

Hospital de Campanha de Campos é desmontado - Foto: Divulgação

Chegou ao fim a desmontagem completa do hospital de campanha de Campos, um dos investimentos públicos do governo estadual que eram mais esperados nos últimos anos pela população e que nunca foi inaugurado.

A previsão inicial para a entrega da unidade era em abril, quando o município enfrentava um dos piores momentos da crise provocada pelo coronavírus. Na época, a situação era tão grave que quase não tinham mais leitos públicos disponíveis para novos pacientes diagnosticados com a Covid-19.

Sem o hospital de campanha, outro problema foi causado: os hospitais filantrópicos como o Santa Casa de Misericórdia e o Álvaro Alvim ficaram com uma movimentação acima do normal. Essas unidades são referências em Campos, e algumas pessoas – que estavam com suspeita da doença – também procuraram esses hospitais já que estavam com medo da lotação do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC). Além disso, o Santa Casa e o Álvaro Alvim também foram procurados por pacientes que estavam com outros problemas de saúde.

Com o hospital sobrecarregado e com poucos leitos públicos disponíveis, a expectativa era grande para a inauguração do investimento prometido pelo governo estadual. Por um momento, o prefeito Rafael Diniz afirmou que só autorizaria a reabertura do comércio quando a unidade estivesse pronta, mas o político desistiu ao perceber que o governo de Wilson Witzel não cumpria com os prazos anunciados.

Diante dessa sequência de fatos, se torna frustrante e decepcionante que o governo estadual não tenha valorizado o interior do Estado do Rio de Janeiro, onde a pandemia do coronavírus matou centenas de pessoas até o mês de setembro. O hospital de campanha poderia ser uma solução e um alívio para os moradores de Campos, e facilitaria muito a luta contra a Covid-19, já que o município estaria mais preparado para lidar com a crise, mas faltou estrutura. A Secretaria Estadual de Saúde ainda chegou a informar que vai ajudar o município com equipamentos, mas está comprovado de que promessas feitas pelo órgão, não foram e não estão sendo cumpridas. Além de tudo, há suspeita de irregularidades ligadas às obras dos hospitais de campanhas no território fluminense.

Hoje, a situação é menos pior já que os leitos estão com uma taxa de ocupação menor em relação a abril, mas o problema ainda está longe de estar controlado já que Campos tem registrado centenas de casos novos por semana. O certo é que o cenário atual poderia ser bem menos preocupante se o município tivesse recebido os leitos e os equipamentos que seriam instalados no hospital de campanha.

Jonatha Lilargem
Jonatha Lilargem Administrator
O Milênio