Cineclube Mulher estreia neste sábado em Campos

O objetivo do projeto é discutir a mulher atual através de seu reflexo no cinema.

Foto: Divulgação

A mulher sempre foi retratada no cinema e até hoje, os grandes filmes baseiam discussões. Ao mesmo tempo, o cinema contemporâneo vem retratando a mulher de forma diferente, tomada por todas as discussões e comportamentos recentes, que abrem um novo capítulo na luta feminista por igualdade de direitos e respeito às diferenças. Assim nasce o Cineclube Mulher, idealizado pelas jornalistas Daniela Abreu e Stella Tó, com a finalidade de discutir como a mulher tem sido espelho e figura, enquanto a sétima arte evolui.

— Estamos em um ciclo em que é fundamental debater as diversas violências sofridas por nós mulheres. Para que elas não se repitam. O cinema é uma ferramenta de grande poder e a utilização dele como porta voz nesse projeto amplia o diálogo, fortalecendo outras esferas onde a mulher ainda é minimizada — diz a jornalista e cineasta, Stella Tó, uma das idealizadoras do Cineclube Mulher.

Sob essa máxima, o Cineclube Mulher estreia e apresenta o documentário “O Renascimento do Parto”, um filme de Érica de Paula e Eduardo Chauvet, que aborda as complexidades do parto, a real necessidade do parto cesariano, o índice quase epidêmico de cesarianas no Brasil, na rede pública e privada, além do direito da mulher a ter um parto normal e humanizado.

O filme é de 2013 e deu origem a uma série que chega ao seu terceiro volume, todos eles passando também pela violência obstétrica, que são métodos violentos e desnecessários, realizados durante o parto. O termo é caracterizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o “uso intencional de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação”.

O termo foi recentemente abolido pelo Ministério da Saúde, que diz que a definição da OMS associa a intenção e a realização do ato, sem relação com o resultado produzido. “O posicionamento oficial do Ministério da Saúde é que o termo ‘violência obstétrica’ tem conotação inadequada, não agrega valor e prejudica a busca do cuidado humanizado no continuum gestação-parto-puerpério”.

— Acredito que sempre foi importante, nós mulheres, debatermos os assuntos que envolvem a nossa existência, mas na atualidade isso se torna urgente, para que não haja perda de direitos já conquistados e para que nós sejamos ativas na construção da nossa própria história — diz Daniela Abreu.

O Cineclube Mulher aborda os temas e, em seguida, abre uma roda de conversa com Bia Mayerhofer, enfermeira e primeira mulher de Campos a ter um parto domiciliar humanizado; Daniela Abreu, jornalista e vítima de violência obstétrica; Jane Quitete, enfermeira obstetra; Leila Werneck, obstetra e professora coordenadora do Centro de Referência e Tratamento da Mulher de Campos e Malena Freitas, educadora e também vítima de violência obstétrica.

O objetivo é aglutinar mulheres de todas as idades a cerca do assunto que é exclusivamente feminino, mas que interfere na forma como todos nós somos concebidos.

O Cineclube Mulher acontece no próximo sábado (29), às 17h, na Santa Paciência, que fica na rua Barão da Lagoa Dourada, 81, Centro.

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