Campos: exausta, médica do Centro de Combate e Controle do Coronavírus faz desabafo

Foto: Divulgação/Rede social

A médica pneumologista, Patrícia Meireles, que atua no Centro de Combate e Controle do Coronavírus (CCC), em Campos, publicou um relato emocionante na rede social dela sobre o dia a dia dela neste período de pandemia. Os casos da doença aumentaram no município nas últimas semanas e segundo a prefeitura, até esta quinta-feira (3), a ocupação de leitos públicos de tratamento da Covid-19, é de 85% para leitos de UTI e 55% dos leitos de clínica médica.

Segundo o último boletim epidemiológico publicado pela prefeitura , entre os 10.225 casos de Covid-19 confirmados no município até o dia 21 de novembro, 749 (7,3%) foram profissionais de saúde. Patrícia explica que a rotina têm sido difícil e só nessa quarta-feira (2), foram 162 atendimentos. Ela relata poucas condições de trabalho e critica o fato da bandeira no município ser amarela quando na verdade a situação é bem mais grave na opinião dela.

“Dia muito difícil o de hoje. Dia de pacientes graves, desce e sobe de pacientes, elevador quebrado, dia do falta tudo, dia de briga, dia de 162 atendimentos e 5 médicos atendendo no salão ao mesmo tempo, dia que mais atendemos em 12h, dia de falar novamente aonde e como manejaremos os corpos, como desocuparemos os leitos mais rápido para os que estão vivos possam ocupa-los. Dia de lágrimas nos olhos. Até a sala vermelha mesmo lotada virou consultório. Agradeço a todos que encararam o dia de hoje com seriedade, parceria, eficácia e paciência que precisávamos para que tudo dê certo. Precisamos ser ouvidos. Não somos invisíveis! Somos profissionais trabalhando exaustivamente. Uma emergência de Covid-19 com especialistas trabalhando há 10 meses sem parar não se sustenta. Precisamos de clínicos, precisamos de apoio. Precisamos liberar quem está cansado, exausto, sem esperança. Precisamos que alguém faça algo por nós e pela cidade, que a impressa alerte o que estamos passando e que o governo faça mudanças eficazes para a nossa proteção e da população (volto a dizer e vou continuar dizendo, essa bandeira não é condizente com a situação da saúde da cidade!). Perdemos o controle da doença e em breve perderemos a nossa paciência, saúde, força física e mental. Precisamos que todas as unidades trabalhem juntas, sem exceção de nenhuma, que todos acolham a população doente. Deixo aqui o meu muito obrigada a todos da equipe de hoje do CCC, que com bravura chegaram ao final do plantão. Meu muito obrigada a todos que ainda estão conosco. Que Deus nos proteja pois estamos entregues somente a ele”, escreveu.

Em nota publicada no portal da prefeitura nesta quinta-feira (3), a Secretaria Municipal de Saúde informou que nos últimos 10 meses têm sido realizadas inúmeras ações para que tanto profissionais de saúde, quanto pacientes e a população em geral tenham a possibilidade de lutar contra esta doença que aflige a população mundial. Ainda segundo a nota, há cerca de cinco semanas, iniciando na rede privada, os índices vem demonstrando o momento crítico em relação à pandemia, o que já vínhamos alertando e tomando medidas necessárias. Esses dados são confirmados pela análise de risco. “A SMS e a Vigilância em Saúde alertam para a necessidade de a população manter as medidas e orientações para reduzir a propagação da doença no município. Não é hora de relaxar. A pandemia não acabou. Ao contrário, está ativa, acometendo milhares de pessoas e com alta propagação do vírus. São 10 meses de esforços e o cansaço é natural. Estamos todos cansados, mas, não vamos descansar. Nossa luta é diária, constante, focada e determinada para evitar colapso do sistema de Saúde do Município”, finalizou.

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O Milênio

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