Campos: 80% das pessoas em situação de rua são negras, diz prefeitura

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Uma análise divulgada pela Prefeitura de Campos nesta sexta-feira (24) divulga dados preocupantes sobre a população negra do município. Segundo o estudo que foi realizado pela Superintendência Municipal de Igualdade Racial (SUPIR), com apoio técnico da Vigilância Socioassistencial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SMDHS), baseado em registros do Cadastro Único, em média, 80% da população de rua é composta por pessoas negras no município.

Em relação a renda das pessoas no município, o estudo chegou a conclusão que 68% da população que vive com renda per capita até R$178,00 é negra. “A consulta ao relatório técnico sobre famílias que vivem com renda per capita de até R$89,00 ou entre R$ 89,00 e 178,00, se tornou o ponto de partida para as escolhas metodológicas deste trabalho. De acordo com o IBGE, estes valores demarcam as linhas de extrema pobreza no Brasil. Os dados do CECAD de maio de 2020, trazem um universo de 58.792 famílias cadastradas em Campos, no qual 68% vive com renda per capita de até R$89,00. O universo de famílias abarca um quantitativo de 159.758 pessoas. Destas, 159.714 possuem território identificado, no qual 112.862 vivem com renda per capita de até R$89,00 e 10.782, com renda entre R$ 89,00 e R$178,00. Realizando um recorte por raça/cor neste universo e somados os quantitativos de pretos e pardos, identificamos um quantitativo de 108.724 de pessoas negras, número que corresponde a 68% de todo o universo analisado”, concluiu.

A análise detalhou também sobre as pessoas que possuem alguma atividade remunerada “Do total de pessoas que declararam ter tido atividade remunerada, 28.690 pessoas, 18% do universo de 159.714, declararam ter algum trabalho nesse padrão nos últimos 12 meses. Realizando um recorte por raça/cor, a prefeitura identificou 19.506 pessoas negras inseridas neste grupo e representa 68% do mesmo. Para o mesmo universo citado acima, 67.961 pessoas que declararam não possuir trabalho remunerado nos últimos 12 meses. Um recorte racial identifica 45.134 pessoas negras neste grupo, correspondendo a 66% de pessoas sem trabalho remunerado”, destacou.

De acordo com o superintendente de Igualdade Racial, Diogo Lima, a partir deste diagnóstico, serão desenvolvidas propostas como: promoção da igualdade racial através dos processos de vigilância socioassistencial e articulação com secretarias setoriais, movimentos sociais e órgãos públicos de defesa dos direitos humanos e articulação de projetos que abordem a transversalidade e a intersetorialidade étnico-racial na política de assistência, através da própria Supir em conjunto com parceiros do setor público e privado.

– Além disso, vamos propor a análise dos instrumentos de atendimento ao público utilizados pelos equipamentos e serviços municipais e ajuste dos mesmos, de forma a garantir a intersetorialidade e a transversalidade étnico racial. Uma análise minuciosa dos dados é o caminho para construir ideias, a fim de amenizar as desigualdades apresentadas”, afirmou Diogo.

O estudo completo está disponível nesse link.

Redação Administrator
O Milênio

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