Aniversário de 185 anos: conheça um pouco da história de Campos!

Campos nasceu com o tamanho de toda região Norte e Noroeste Fluminense, exceto São João da Barra, mas perdeu território devido a emancipação de algumas cidades

Foto: Supcom

Neste sábado, dia 28 de março, Campos completou 185 anos de elevação da Vila de São Salvador à categoria de cidade. O jornal O Milênio separou um conteúdo interessante sobre a história do município.

De acordo como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui uma população estimada de 507 548 habitantes, é a mais populosa cidade do interior do estado, a sétima mais populosa do estado e também o município com a maior extensão territorial do estado, ocupando uma área de 4 026 quilômetros quadrados.

Campos e sua região eram originalmente habitadas pelos índios goitacás. Após o fracasso da capitania de São Tomé, a grande baixada foi atacada pela tribo goitacá. Durante o século XVII, diversas tentativas de ocupação da planície foram feitas, entretanto, todos que entravam em confronto com os índios eram dizimados. Somente com a chegada dos jesuítas e beneditinos na região, e da pacificação junto aos índios, é que as terras passaram a ser conhecidas pelos colonizadores e senhores de engenhos. A colonização de origem portuguesa de fato só se iniciou a partir de 1627, quando o governador Martim Correia de Sá, em reconhecimento devido ao heroísmo nas lutas contras os índios, doou algumas porções de terra da capitania aos Sete Capitães, que, em 1633, construíram currais para o gado, próximos da Lagoa Feia e da ponta de São Tomé.

Os novos colonizadores pretendiam desenvolver a criação de gado na região, com o objetivo de aproveitá-los no trabalhos dos engenhos. Na enseada da Guanabara, não havia áreas para criação de gado, pois a área estava ocupada com a cana-de-açúcar. Desde então, começou a verdadeira ocupação de origem portuguesa da cidade de Campos.

Os capitães, que moravam em seus engenhos no Rio de Janeiro e Cabo Frio, arrendaram quinhões de suas sesmarias, contribuindo assim para o crescimento da população. A criação do gado se multiplicou de forma assombrosa, tal como a diversificação de atividades. Algumas antigas lendas dizem que Campos recebera primeiro a energia elétrica do que o resto da América Latina, entretanto, o correto seria dizer que fora um de seus latifúndios, no caso, a atual Quissamã, local que pertencia a Campos na época de 1833.

Canaviais começaram a aparecer nas regiões mais elevadas da planície e a política, até então estável, foi quebrada com a chegada de latifundiários poderosos, entre eles Salvador Corrêa de Sá e Benevides, que abusou do poder e da posição (pois era o governador da capitania na época), estabeleceu parcerias com os religiosos, se beneficiavam na partilha da planície. Começaram, então, as lutas pelas terras. De um lado, herdeiros dos capitães, pioneiros, colonos, campeiros e vaquejadores; de outro, os Assecas, herdeiros de Salvador de Sá. Durante aproximadamente 100 anos, a capitania viveu em conflitos pela posse das terras, a Coroa chegou a retomar a terra várias vezes, mas, devido às crises vividas pela mesma, voltou para as mãos dos Assecas.

Somente em 1752, com a compra da capitania e a contribuição pecuniária da própria população, é que a região foi finalmente pacificada. No decorrer do domínio dos Assecas, a pequena propriedade predominava, mas também condicionada pelo meio natural, devido à inexistência de áreas contínuas de grande extensão, já que havia inúmeras lagoas. A partir do domínio da cana-de-açúcar, a região passou por um período de recuperação, mas continuava isolada da capital. No início dos anos 1800, toda a planície encontrava-se ocupada e partilhada, mas ainda restavam quatro latifúndios: Colégio dos Jesuítas e São Bento (correspondentes à cidade de Campos e seu entorno), Quissamã (primeira região da América Latina a receber energia elétrica), além da fazenda dos Assecas, onde surgiu o povoado da barra seca (atual município de São Francisco de Itabapoana).

No ano de 1833, foi criada a Comarca de Campos e, em 28 de março de 1835, a Vila de São Salvador é elevada à categoria de cidade, com o nome de Campos dos Goytacazes. A pecuária e o cultivo da cana-de-açúcar se estenderam pela planície entre o Rio Paraíba do Sul e a Lagoa Feia. Em 1875, a cidade tinha 245 engenhos de açúcar, com 3 610 fazendeiros estabelecidos na região. A primeira usina foi construída em 1879, com o nome de Usina Central do Limão, pertencente ao doutor João José Nunes de Carvalho. Devido à sua importância, Campos recebeu a visita de D. Pedro II quatro vezes. Ficheiro:Brasil Hoje n. 202 (1977) – Reportagem da Agência Nacional sobre o terceiro centenário de fundação da cidade de Campos dos Goytacases, Rio de Janeiro.webm Campos, 1977. Arquivo Nacional.

Durante toda a república, a economia regional viveu períodos de altos e baixos em função do preço do açúcar internacionalmente, mas sempre mantendo sua importância no mercado na economia estadual e nacional. Ao final dos anos 1980, os municípios de Campos, Macaé e Conceição de Macabu, tinham uma agroindústria açucareira expressiva. A ascensão de São Paulo como maior produtor nacional, seus altos níveis de produtividade, além da expansão da área cultivada no Nordeste do país, aliados à falta de modernização do complexo campista, fizeram com que a região passasse a ser coadjuvante no contexto nacional. O endividamento de algumas usinas, obrigou muitas delas a se fecharem, atingido consequentemente a economia da região Norte Fluminense. A descoberta do petróleo na bacia de Campos nos anos 1970 e a construção do Superporto do Açu tem contribuído para a recuperação da região nos dias de hoje.

Campos nasceu com o tamanho de toda região Norte e Noroeste Fluminense, exceto São João da Barra. O município, na época, fazia divisa com Nova Friburgo, Cantagalo, Cabo Frio e com estado de Minas Gerais, mas, com a emancipação da cidade de Itaperuna, perdeu metade do seu território. A partir da década de 1980, Campos perdeu cinco antigos distritos, que se juntaram e formaram os municípios de Italva e Cardoso Moreira.

Comemorações virtuais devido ao coronavírus

Para não deixar que o aniversário da cidade passe totalmente em branco por causa da pandemia do coronavírus, a prefeitura preparou uma programação virtual para comemorar o aniversário. Neste sábado, o aniversário de Campos, a Prefeitura de Campos, foi comemorado através de dois equipamentos culturais: Museu Histórico e Arquivo Público Municipal, que promoveram dois eventos em plataformas digitais: O museu realizou um quiz histórico,  através do Instagram e o Facebook do Museu, para apurar e informar a conhecimento, acerca da história regional. É uma forma de interação com a população e, também, uma oportunidade de saber se os campistas sabem realmente da sua história, ou seja, da história de sua cidade. Essa brincadeira interativa possui grande importância, pois pretende também desmitificar a importância do dia “28 de março”, data comemorada pelos campistas como data de aniversário da cidade.

O Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho promoveu, no mesmo dia, um debate online, através de live, na página do Arquivo no Facebook com o historiador e escritor Carlos Eugênio Soares. Professor Doutor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carlos Eugênio Soares é autor dos livros “Vivendo em Tempos de Tirania” e “A Visita do Imperador”, que retratam períodos destacados da história de Campos. Entre os temas, ele abordou a importância de datas como 28 de março e 29 de maio para o município.

– É importante que, neste momento, a população respeite o isolamento social para proteção de todos. Em momento oportuno, estaremos seguindo a programação normal. O melhor que podemos fazer, neste momento, para o nosso município, é proteger a nossa população – reforça o prefeito Rafael Diniz.

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O Milênio

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