Possível surto de doença pouco conhecida em Campos preocupa profissionais de saúde

A doença é mais comum em animais, mas também pode afetar seres humanos.

Foto: Divulgação

Uma doença pouco conhecida no Brasil que afeta animais e até humanos, tem preocupado os profissionais de saúde de Campos. Trata-se da esporotricose e o motivo da preocupação é o aumento do número de casos na cidade, recentemente. Ela é uma micose antiga, mas como não é muito debatida, poucas pessoas sabem informações sobre a doença, o que preocupa ainda mais os especialistas do ramo.

A esporotricose é causada pelo fungo Sporothrix schenckii. Geralmente, ele atinge a pele e os vasos linfáticos, mas pode também afetar ossos, pulmão e outras articulações. Esse fungo está presente na maior parte do mundo, mas principalmente em regiões de clima temperado e tropical, como a Ásia, África, Oceania e Américas. As maiores vítimas são os gatos, mas cães e outros bichos também pode ser infectados.

Alguns veterinários falam em possibilidade de um surto já que os números são alarmantes. Em 2017, as unidades municipais de saúde receberam 32 animais infectados e no ano de 2018, houveram 53 casos. Apenas em janeiro e fevereiro de 2019, os postos confirmaram pelo menos 24 animais doentes, número que representa uma quantidade próxima a metade de todo o ano passado. Cabe ressaltar que esses dados são apenas de postos municipais.

Já no hospital veterinário da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), pelo menos 60 bichos infectados já foram atendidos em 2019, o que indica que o número de vítimas infectadas é ainda maior do que parece. De acordo com a veterinária Adriana Jardim, que trabalha na instituição, é importante que os donos de animais infectados procurem veterinários logo quando souberem da doença. “A pessoa que tiver um animal com uma lesão de pele ou mais, e mesmo após a limpeza e com o passar dos dias, se essa lesão não cicatrizar, o indivíduo deve procurar uma consulta com um médico veterinário para que ele faça o exame e prescreva o tratamento adequado para aquele caso especificamente, que pode ser esporotricose ou não. O hospital veterinário da Uenf possui um projeto de extensão, onde os profissionais capacitados podem dar mais orientações aos proprietários desses animais doentes”, afirmou.

Embora seja mais raro de encontrar seres humanos infectados, pode-se notar que o número também é expressivo nas pessoas. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde mostram que em 2017, as unidades municipais de saúde receberam 24 indivíduos infectados. Já em 2018, foram 26 pacientes que contraíram a doença.

A esporotricose, que tem cura através de medicamentos, pode ser passada do animal para outro bicho e para seres humanos, através de um arranhão, mordidas, contato com a pele contaminada, e também por meio de materiais contaminados.

A veterinária do Centro de Controle de Zoonose (CCZ), Francimara Araújo, afirmou que a castração é uma das formas de um animal se prevenir da esporotricose. “O aumento no número de gatos com esporotricose na cidade nos leva a dar prioridade à castração destes animais. Embora a doença tenha cura, muitos abandonam seus bichinhos devido à doença. A castração evita que os gatos saiam de casa para acasalar e, assim, sejam infectados”, explicou Francimara.

O CCZ também faz trabalhos de conscientização para os moradores que têm animais domésticos, com o objetivo de que as pessoas fiquem mais cientes a respeito do combate e da prevenção da micose. O órgão também pede para que os veterinários de redes particulares ou estaduais, sempre estejam em contato com o CCZ, para relatar novos casos de esporotricose, para facilitar o combate da doença.